Overlook Hotel

Lista de discussão sobre Stephen King

Vencedores do Concurso

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Segue o resultado do ultimo concurso de contos.

Por favor os ganhadores envie seus endereços para
debbygrupos@uol.com.br

O Homem dos olhos vermelhos- Edilton Reinaldo – 3 votos

No Acalanto da Noite – Andy 3 votos

Dez Pedaços – Bev – 2 votos

Joana e Maria – Dra. Joyce Reader – 0 Votos

O gênio da lâmpada – Dra. Joyce Reader 0 Votos

Reflexões e Sensações apaixonadas – Rose Red – 0 Votos

Nova Moradora – Rose Red – 0 votos

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Written by debbylenon

21/07/2010 at 10:57

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O homem dos olhos vermelhos

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Eis mais um conto para o concurso

Leitos de hospitais geralmente são lugares tristes durante o dia. A noite essa tristeza se intensifica, solidificando-se nas paredes recobertas de limo, no teto mal iluminado pelas lâmpadas fluorescentes, na camada de tinta que escapa das paredes. Fiz essa pequena constatação pessoal quando passei três dias e três noites inteiras, devidamente hospitalizado, graças a um calculo renal de aproximadamente dois milímetros, semelhante a um grão de arroz alojado em meus rins. Dizem que a dor do parto é uma das maiores dores que o ser humano pode sentir. Besteira! Passei dois anos nutrindo esse “filho bastardo” em meu “ventre”, e no fim me vi obrigado a expulsa-lo já em fase adulta. Cinco milímetros em forma de uma pequena pedra pontuda, formada basicamente de oxalato de cálcio e acido úrico.

O fato é que durante aqueles três dias em que passei acordado, me virando interminavelmente sobre os lençóis novos, recém estirados, recebi basicamente duas visitas. Uma delas, é claro, era minha mãe. Chegava as dez e saia pontualmente as doze, quando terminava o horário matinal de visitas. Trazia meu almoço e enquanto me alimentava ela checava com cuidado os curativos provocados em meu punho esquerdo pela mão desajeitada de uma enfermeira descuidada. Minha mãe era uma boa pessoa e agradeço a Deus por ela. Mas o fato é que sempre tive medo do tempo e do que ele poderia fazer comigo. Mais ainda, do que ele poderia fazer com ela.

Fui testemunha ocular do quanto o tempo pode ser cruel logo no primeiro dia de internação no hospital Santa Maria, naquele inverno de 1967. O homem era um senhor já de idade. Tinha no rosto um aspecto cansado, com profundas olheiras marrons rodeando seus olhos.  A pele flácida, repuxada drasticamente para baixo, formando uma papada enorme e disforme logo abaixo do queixo. As costas arqueadas e o andar lento, vagaroso. Estava acompanhado por uma garota extremamente bonita, que o ajudava a carregar o suporte metálico do soro. Seus olhos eram tão verdes e brilhantes quanto duas bolinhas de gude.

– Por aqui senhor. – Disse educadamente a outra mulher, que entrou no quarto logo em seguida, tomando a frente e indicando uma das camas ao meu lado. Usava um grande jaleco branco, que descia pelos contornos magros de seu corpo, quase até os joelhos. Seu rosto parecia tão cansado quanto o do senhor de idade, mas ela conseguia (ou pensava que conseguia) esconder isso muito bem com o blush e o pó compacto, espalhado pelo rosto como massa corrida em uma parede esburacada.

– Tem certeza de que vai ficar bem vovô? – Perguntou a garota dos olhos de bolas de gude. O velho balbuciou algo inaudível e se deitou, cruzando as pernas e os braços, encolhendo o corpo de lado em posição fetal. A mulher de jaleco o ajudou a tirar os sapatos e as meias, largando-os ao pé da cama após notar com crescente interesse a camada marrom de sujeira, semelhante à marca deixada em suas roupas intimas após uma incursão mal sucedida ao mundo da higiene pessoal.

– O horário de visitas é das dez as doze, querida. – Nesse ponto a voz da enfermeira oscilou, e por Deus… Que todos os santos me perdoem, mas eu juro que senti uma pontada de prazer despontar de seus lábios.

A garota corou e procurou, provavelmente nos recantos mais profundos de sua mente, se lembrar de como deveria ser um sorriso sincero. Tentou reproduzi-lo com o máximo possível de fidelidade, mas o que conseguiu foi apenas um ligeiro entreabrir de lábios.

Alguns minutos depois a enfermeira saiu, deixando o senhor de idade aos cuidados da garota dos olhos de bolas de gude.

– O que ele tem? – Perguntou minha mãe, rompendo o silêncio monótono do quarto.

– Alzheimer… – Disse ela. O tom parecia inarticulado, sussurrando as palavras, espalhando-as pelo quarto com o temor carregado na voz. Uma furtiva lagrima passeou por sobre suas bochechas.

Com o passar do tempo as visitas de ambas tornaram-se menos freqüentes. O leito do hospital tornou-se mais vazio. Cerca de uma semana depois o avô da garota dos olhos de bolas de gude e eu recebemos a segunda visita da qual falei no inicio desse relato. Não citei nomes pois não me atrevi a nomeá-lo, tamanho fora o terror que se alojara em minha mente. Mas se for necessário fazê-lo, prefiro chamá-lo de “O homem dos olhos vermelhos”, mesmo sabendo, inconscientemente, que a criatura que nos visitara aquela noite era tudo, menos humana.

A lua cheia despontava no céu, grande e redonda, ofuscando parcialmente o brilho das estrelas. As persianas, como sempre, estavam abertas, e pequenas tiras de luminosidade se atreviam a invadir a escuridão parcial do quarto. Assim como nas outras noites, eu não conseguira pegar no sono. Já passava das duas da madrugada quando a porta foi aberta. Um frio cortante pareceu inundar o quarto, de repente, antes que eu me desse conta de que o vulto parado em frente a porta não era o da enfermeira. Seus contornos eram másculos e bem definidos.

O homem de jaleco moveu-se, sentando-se com cuidado no mesmo banco de madeira que a garota dos olhos de bolas de gude sentara apenas alguns dias atrás, deixando que um pequeno feixe de luminosidade que atravessara a persiana iluminasse parcialmente seu rosto. Fora apenas por uma fração de segundos, mas eu vi. O sangue de meu corpo gelou por completo. O olhos do homem de jaleco eram vermelhos, como brasas retiradas das profundezas do inferno. Fitavam o velho com alucinado interesse, enquanto pareciam queimar viva e dolorosamente sobre seu rosto.

Pensei em levantar e fugir. Correr. Me esconder em qualquer lugar onde o homem dos olhos vermelhos jamais poderia me encontrar, mas o medo me paralisou. O senhor do destino, que no final sempre comanda nossas ações, me fez permanecer ali, de olhos arregalados, fitando os contornos demoníacos do homem dos olhos vermelhos, enquanto sua cabeça se inclinava ameaçadoramente em direção ao velho. Suas mãos de dedos finos e longos tinham garras nas pontas. A pele dos dedos era flácida, enrugada e cinza, semelhante a pele em decomposição de um cadáver. Abraçou o punho do velho com seus dedos mortos e removeu com cuidado a agulha. Elevou-o até a boca, envolvendo o pequeno orifício provocado pela agulha com seus lábios ressecados e cinzas. O que se seguiu posteriormente fora um verdadeiro teatro de horrores. Eu podia ver o sangue fluindo nas veias do velho, indo de encontro aos lábios mortos do demônio de olhos vermelhos. Uma pequena poça de sangue se formou ao pé da cama, e quando pensei que o demônio dos olhos vermelhos havia terminado, algo mais aconteceu. Ele abaixou-se, inclinando seu corpo em um movimento humanamente impossível, sem dobrar os joelhos, até o chão. Uma enorme corcunda apareceu em suas costas e o jaleco de doutor que usava tornou-se pequeno, revelando uma massa de ossos magros, visivelmente desproporcionais, grudados a pele morta. Uma coisa grotesca e disforme, que jamais ousarei chamar de língua, saiu do interior de sua boca, contornando o ar em movimentos delicados e ao mesmo tempo horriveis, como uma cobra manipulada por um encantador de serpentes, e lambeu o chão. Seus olhos brilharam novamente, com o fogo oriundo das profundezas do inferno, e por um momento apenas me encararam, como se dissessem: “Você é o próximo.”

Mas eu não fui o próximo. Ao menos não naquela noite. O demônio dos olhos vermelhos se levantou, satisfeito, virou as costas e saiu, largando o velho morto atrás de si.

Muitos anos se passaram desde o acontecido. Na época tinha apenas dezoito anos e toda uma vida pela frente. Uma vida que ficaria marcada para sempre pela presença do demônio dos olhos vermelhos, durante uma noite escura, num leito frio e solitário de hospital. Hoje tenho noventa e dois anos e me encontro deitado no mesmo leito. Esqueci-me do gosto da comida que minha mãe preparava, do rosto da garota, mas do demônio dos olhos vermelhos eu jamais me esqueci. É o mesmo que se encontra parado agora, na porta do quarto, me observando com curiosa atenção.

FIM

Written by debbylenon

17/05/2010 at 07:43

Publicado em Concursos, Contos

Dez Pedaços

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Caros hospedes, este é mais um conto que está participando do concurso em homenagem ao nosso querido Andy

1.

Era um sol escaldante na aridez do sertão, na amplitude seca,
esturricada. Naquele lago amarelado de poeira e calor, a casa branca e
simples, de paredes de barro caiadas de branco e o telhado de telhas
vermelhas parecia um santuário. Os zumbidos das moscas e o do vento
eram os únicos sons daquela paisagem. As moscas estavam agitadas. Ele
estava sentado no chão, negro e nu, o sol reluzindo na pele suada, a
cabeça entre as mãos, enquanto balançava o corpo suavemente pra frente
e pra tras. Do dorso escorria sangue em filetes espessos. Da coxa
esquerda também. Os policiais não erraram todos os tiros.

2.

Ele estava tomando banho numa lagoa pequena que se escondia atrás de
umas pedras. A água da lagoa estava escura, feia e quente. Fedia a
minério, minerais, folhas mortas, mas ele estava coberto de sangue,
precisava se limpar. Deitou a cabeça dela com cuidado sobre uma pedra
chata para que não rolasse, fechou os olhos negros e atrevidos que o
olhavam zombeteiros. Por isso lhe arrancara a cabeça. Não conseguia
suportar os olhos. Se agachou na lagoa, com o facão ainda na mão, o
sangue formava uma capa espessa sobre sua pele e cabelos. Sangue do
pai. Sangue da mãe. A mãe cigana, bruxa e zombeteira. ‘Ria agora,
puta!’ Queria ver ela rir.

3.

No relatório os policiais descreveriam com detalhes a cena: ele nu, na
lagoa morta, a cabeça da vítima sobre a pedra. O olhar de animal
acuado, enlouquecido, que ele lhes lançou. Olhar de animal que precisa
ser sacrificado. Ele pulou, ágil, pegando-os de surpresa, agarrou a
cabeça pelos cabelos desgrenhados, em nenhum momento tinha largado o
facão. No susto, atiraram. As balas entraram na carne rígida,
perfurando o couro luzidio, fazendo o sangue esguichar.
Perseguiram-no, mas ele era rápido e conhecia cada palmo daquele
labrinto traiçoeiro de pedras. MaseEle estava sangrando. Deixassem ele
sangrar, iam seguir o rastro e o pegariam depois.

4.

Foi naquele ano que ele desandou. É assim que se diz? Até que era. O
filho único da rezadeira, filho da bruxaria. Era um rapaz calmo,
educado, forte. Trabalhava na roça quando dava, não era perdido na
vida e na cachaça, não era homem de andar com as putas nem de arrumar
confusão nem briga. Calado, calado. Alto, forte, negro reluzente, de
sorriso branco e fácil. Um dia deu pra ver o diabo, a mãe era bruxa, o
pai era fraco da cabeça apesar de ser um homem bom, a mulher fazia
tudo em casa.

5.

Ele chegou na casa branca de telhas vermelhas com o facão, a vista
turva. Os demônios estavam ao seu redor, rindo, girando, alegres,
rindo de sua miséria. ‘A bruxa!’, eles diziam. ‘Você tem que matar a
Bruxa! Água e folha e vento e pó, na neblina, rápido! Eles estão
chegando!’ E ele não hesitou. Mas o pai veio primeiro, o homem bom,
hesitou, sem saber se defendia a mulher ou o filho amado. Ele entrou
na frente, e foi lento, lento, a cada golpe o sangue espirrava,
molhava as paredes brancas, umas, duas, cinco, quinze vezes, até ele
cair. Nem assim ela parava de rir, a bruxa demoníaca. Arrancou-lhe a
cabeça com um só golpe, artérias, veias, ossos se partindo com um ramo
seco sob a força do facão. O silêncio que veio depois foi
insuportável, e ele saiu pela porta como se entrasse em um túnel muito
iluminado. O sol lhe machucou os olhos. A cabeça pendia entre seus
dedos escorregadios, e ele entremeou os fios nos dedos sem perceber.
Arrancou a roupa com uma só mão, o tecido apertava, machucava como
alfinetes. O céu estava vermelho. Saiu a esmo procurando um lugar pra
ficar.

6.

Era o primeiro filho deles. A mulher estava grávida já perto de parir.
A noite fria do sertão causava arrepios nos dois, ele deitado com a
cabeça próxima ao ventre da curandeira. ‘Ele um dia fará grandes
coisas’, ela profetizou. Sabia que era um homem, o filho.

7.

Os policiais o encontraram deitado do lado de fora da casa, nu, sujo,
empoeirado. O rastro de sangue os levara até ali. Não largara a
cabeça. As moscas entravam e saíam da boca aberta, das narinas, das
orelhas. Ele estava deitado na sombra da casa, a respiração ora
regular, ora entrecortada. Só os olhos denunciavam que ele via algo.
Um algo que ninguém nunca veria. Ele não protestou quando eles o
arrastaram de qualquer jeito e colocaram no carro. Nem quando o
espancaram enquanto faziam um monte de perguntas. Ele nunca mais
protestou.

8.

O colocaram num manicômio judiciário na capital. Do seu quarto ele
pode ver o mar, mas não vê. Ele nunca mais acordou do seu sonho com
demônios e fantasmas. Eles vivem pra sempre trancados em sua mente. Em
sua mente ele continua sob o sol escaldante, no sertão amarelado e
vazio, pingando sangue na terra, e o facão está sempre ao seu lado. Na
cabeça cortada o sorriso zombeteiro o persegue a cada passo. “Um dia
ele fará grandes coisas”foram as palavras da mãe.

9.

“Mãe, me ajuda, Eu não quero morrer aqui assim”. Mas ela nunca mais respondeu.

10.

Saiu uma nota no jornal. Ela deu origem a esse conto.

Written by debbylenon

25/04/2010 at 10:29

Publicado em Concursos, Contos

O gênio da Lâmpada

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Alberto estava sentado a beira mar, pensando na vida, estava acostumado àquela cena. Do vai e vem das ondas. Num momento de distração uma pequena onda trouxe um objeto até seus pés.

___ O que será isso?

Pegou o objeto e examinou, era uma garrafa antiga, feita com um material que lembrava porcelana, só que mais resistente, seu formato lembrava um vidro de perfume, arredondado em baixo e com o gargalo fino e comprido.

Tinha uma cor bem indefinida, algo que lembrava o roxo bem escuro e havia inscrições que ele não podia identificar, mas, parecia estar gravada em ouro.

Estava lacrada, a tampa tinha uma trava fácil de ser removida, a curiosidade dele estava aguçada, pois a garrafa apesar de ter cerca de quinze centímetros pesava cerca de uns vinte quilos.

Abriu!

Uma fumaça verde começou a sair da garrafa e a tomar forma. Uma mulher morena, com trajes sensuais e olhos verdes apareceu:

___ Quem é você? – perguntou Alberto a moça.

___ Meu nome é Zoraide. Sou um gênio, você me libertou da minha eterna prisão. Agora sou sua escrava e posso realizar três pedidos seus.

___ Mas isso parece um conto de fadas…

___ Não meu amo e senhor, não é um conto de fadas, é a pura realidade, com todas as conseqüências que podemos acarretar, por isso eu peço ao senhor, que reflita muita antes de fazer seus pedidos, pois toda ação tem uma reação, que pode ser boa ou ruim.

Alberto levou zoraide para sua casa, ela a serviu como uma boa escrava, servia-lhe a mesa e na cama, de acordo com a vontade dele, ou ele pensava que era assim.

Muitos meses depois Alberto andava pensativo, comia pouco e não procurava Zoraide. Quando ela perguntou o que estava acontecendo ele respondeu?

___Zoraide, eu queria usar meu pedido.

___ Amo! O senhor pensou bem?

___ Claro que sim. Há meses venho pensando, tanto no pedido quanto nas conseqüências, e eu resolvi pedir muito dinheiro, para que eu possa ajudar meus irmãos.

___ Então o senhor quer ter muito dinheiro?

___ Sim.

Zoraide cruzou os braços em torno de seu corpo, fechou os olhos e se concentrou no pedido de Alberto, foi nesse momento que o telefone tocou:

____ Alo! Antonia, oi querida irmã!… O que?… Quando…Mais como isso foi acontecer Antonia?… Irei já para ai minha irmã.

Alberto desligou o telefone muito triste, com os olhos lacrimejando, mal pode olhar para Zoraide.

___ Algum problema amo!

___ Meu irmão morreu. Meu amigo morreu Zoraide, você sabe o que é isso? Acho que não, pois você é uma gênia.

Zoraide não disse nada, mas, seu olhar era de muito ódio e saiu pensativa da sala.

Foram dias muito tristes aqueles, Alberto era filho de um segundo casamento entre Sr. João e dona Albertina, ambos já falecidos, tinha uma irmã por parte de mãe e um irmão por parte de pai. Era muito ligado a eles.

Após cinco dias depois do falecimento de Otaviano, Alberto recebeu um telefonema da empresa em que seu irmão trabalhava:

___ Alo!

___ Boa Tarde! Por favor, o Sr. Alberto Tuffik?

___Ele mesmo.

___ Sr. Alberto, eu me chamo Regina Moraes e trabalho na M & M construções, a empresa onde o seu irmão trabalhava.

___ Sei. Conheço a empresa.

___ Estamos ligando, pois não sei se o senhor sabe, mais seu irmão deixou um seguro de vida no nome do senhor…

___ Como?

___ Ele não tinha filhos, esposa, e o parente mais próximo seria o senhor, então ele colocou a apólice em seu nome…

___ Não posso acreditar.

___ O Senhor poderia vir aqui assinar a documentação e receber seu dinheiro.

___ Só uma pergunta? De quanto é esse seguro?

Alberto ficou pasmo com a noticia. Teria alguns milhões em sua conta em poucas horas, parecia um sonho, mas, esse sonho tornou-se pesadelo.

___ Zoraide!

___ Sim amo!

___ Você ouviu o telefonema?

___ Sim, amo!

___ Eu queria ficar rico, pedi isso a você antes daquele telefonema horrível, agora por causa da morte do meu irmão fiquei milionário. Usei o pedido em vão.

___ Creio que não amo!

___ Como assim?

___ Seu desejo foi realizado, o senhor não pensou na conseqüência que ele traria. Seu irmão precisou morrer para que o senhor ficasse rico.

___ Não pode ser. Eu matei meu irmão? Foi minha culpa?

___ Não meu amo! A culpa é do poder do além. Alguém mais antigo que o próprio universo. O lado negro de todo o ser humano.

___ Como vou viver sabendo que meu irmão morreu por minha culpa. Por um desejo meu de ficar rico.

Os anos se passaram e Alberto esqueceu sua dor. Estavam levando uma vida de luxuria e prazer, tinha sempre ao seu lado as mais belas mulheres. Até que um dia confessou a Zoraide ter um grande amor.

___ Zoraide eu amo uma mulher há muitos anos. Pensei que poderia viver com ela, mas descobri que ela é casada com um homem sem escrúpulos. Um Ogro que a maltrata, dizendo-lhe palavras horríveis e surrando-lhe quando ela tenta separar-se dele.

Alberto lembrou-se que tinha mais dois desejos, olhou fixamente para Zoraide que adivinhando seus pensamentos se precipitou:

___ Qual é o seu desejo amo?

___ Eu desejo que Cassandra crie coragem e largue o marido para viver comigo, pois sei que meu sentimento também é correspondido.

___ Seu desejo é uma ordem.

Em menos de meia hora Cassandra bateu à porta de Alberto. Estava apenas com a roupa do corpo, disposta a viver com ele até que a morte os separasse.

Alberto viveu dias felizes, mal podia acreditar que uma vez na vida sentia-se inteiramente feliz. Só que tanta felicidade durou pouco, um dia Hemergildo (ex-marido de Cassandra), invadiu a casa de Alberto. Entrou no quarto onde os dois se amavam, e com um cinto começou surrar a ex-mulher. Enfurecido Alberto apanhou um castiçal de bronze que estava em cima da penteadeira e o deitou na cabeça de Hemergildo, fazendo jorrar sangue por todo o local.

Alberto foi preso. Julgado e condenado. Cassandra nunca fora visitá-lo na cadeia, apenas Zoraide se dava a este trabalho, por ainda estar presa a ele. Não agüentando mais a vida de presidiário, Alberto fez seu ultimo pedido a Zoraide:

___ Zoraide! Quero fazer meu último pedido.

___ Sim amo! Tenho que alertá-lo que assim que seu desejo for realizado eu voltarei para meu mundo.

___ Mesmo assim Zoraide, eu preciso fazer esse pedido. Eu quero que meus problemas se acabem.

Zoraide se concentrou pela ultima vez e desapareceu. Alberto caiu desacordado no chão da sala de visitas. Quando os médicos da prisão chegaram, ele estava morto.

Vinte anos depois…

Soraia caminhava sozinha pela praia. Encontrou uma linda garrafa roxa com inscrições douradas ao abrir a tampa um homem seminu que usava um turbante na cabeça, surgiu.

___ Quem é você?

___ Sou o gênio da lâmpada, me chamo Tuffik.

Written by debbylenon

23/04/2010 at 10:18

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Joana e Maria

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Maria era uma menina muito doce que adorava brincar com seus bichinhos de estimação, ela tinha uma cobra e um papagaio. O pai de Maria alimentava a cobra fora da casa, para que Maria não visse ela matar a presa antes de devorá-la.

Um dia Maria viu a cobra fora do seu terrário e nem ligou, continuou brincando com seu outro papagaio. Quando Maria se distraiu a cobra deu o bote e devorou a pobre ave. Maria ficou ali olhando sem nada poder fazer.

Algum tempo depois o pai dela veio falar com ela.

– Filha você viu o papagaio?

– não papai, eu estava brincando com a Joana hoje o dia todo.

– Ele não falou hoje.

– Será que ele fugiu?

– Espero que não.

Assim que o pai saiu da sala Maria olhou para a cobra Joana e disse sorrindo, será nosso segredinho.

Anos se passaram e a Maria e Joana foram crescendo, Joana começou a se alimentar de pequenos roedores e gatos da vizinhança. A pyton foi ficando cada vez maior e começou a criar problemas com os vizinhos. Dona Ana, mãe de Maria pediu ao pai dela que sumisse com a cobra, antes que eles tivessem problemas sérios. O pai da menina, não quis magoar a filha e apenas construiu um viveiro para deixar a cobra lá, a menina tirava sua amiga de lá sempre.

Certo dia a mãe de Joana faleceu. Foi dormir e nunca mais acordou. Maria não chorou a morte da mãe. Muito menos ligou quando o pai apareceu com uma nova esposa meses depois. Apenas não gostou quando o irmãozinho nasceu. A menina tinha na época 17 anos, não era ciúme da criança, apenas não entendia a insistência do pai em doar Joana ao zoológico.

Foi numa certa noite que Maria teve uma idéia. Ela chegava do colégio quando ouviu a madrasta e o pai conversarem.

– João, esse animal não pode ficar aqui. Ano que vem Maria irá para a faculdade e quem irá cuidar dela? E o nosso filho, ele tem quatro meses e seria uma presa fácil para aquela coisa.

– Calma Rita! Eu tive uma idéia, assim que Maria sair para a faculdade, logo no primeiro dia, eu levo Joana para o Zoológico. Espere só mais uns meses.

– tudo bem João, mas, até lá eu e o Diego vamos para a casa de minha mãe, espero que você venha nos visitar.
– Rita, querida não faça isso.

Quando Maria teve a oportunidade de estar na casa sozinha ela soltou Joana no quarto do irmão. Aquela noite Rita dormiria em casa e de manhã bem cedinho viajaria para São Carlos, para visitar sua mãe.

O dia amanheceu e Rita se levantou para ver Diego, ela estranhou, pois, o menino não chorou para mamar na madrugada. Assim que ela entrou no quarto do filho e olhou no berço, soltou um grito de terror e desfaleceu.

João e Maria entraram no quarto correndo, João gritou o nome do filho, mas apenas pode ver a ponta do pé da criança na boca de Joana. Maria deu um leve sorriso.

Todos choravam no enterro do menino. E estranhavam a ausência da irmã. Uma vizinha próxima à família disse as colegas.

– Vi Maria chorando inconformada no quintal. Pobre menina perder o irmão assim, mas, a família era irresponsável de criar um animal daqueles.

Maria chorava sim, no quintal de casa, mas, chorava a morte da única amiga que teve. Chorava sob os pedaços esquartejados de Joana. Chorava jurando vingança.

– Nenhum descendente de João e Rita irá sobreviver a minha irá Joana, você pode ter certeza.

Maria sempre foi assim, incapaz de sentir algo pelos humanos ou outros animais. Maria só gostava de cobras e de como elas rastejavam e atacavam suas presas. Maria levantou-se e partiu. E durante muito tempo ninguém a viu.

Written by debbylenon

23/04/2010 at 07:46

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No acalanto da Noite

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Kleber estava terminando sua cerveja e pensando sobre os últimos acontecimentos em sua vida. Na razão pela qual estava tão distante de casa. Escondido dos problemas e principalmente de problemas ainda maiores.

Havia sido idéia de Ratão ele dar um tempo na casa da irmã, no interior de São Paulo. Pelo menos até as coisas esfriarem. O incidente com a velha poderia trazer mais complicações, e isso poderia afetar todo o esquema que eles tinham na região. Portanto, o melhor era dar um tempo longe do local e voltar só quando as coisas se acalmassem.

A velha tinha estragado tudo. Custava ela ter colaborado no assalto? Não, ela tinha que dar uma de mocinha e reagir, dando-lhe bolsadas na cabeça e gritando por ajuda. Ele não tinha a intenção de feri-la, mas quando percebeu já tinha lhe enfiado o canivete logo abaixo da axila esquerda.

O problema maior era que a velha era mãe de um policial, e ele sabia que o coxinha não iria deixar de ir atrás dele, e de quem estivesse com ele.

  • Mais uma gelada, por favor? Pediu ao balconista.
  • É pra já, filho! – disse o balconista pegando mais uma garrafa de seu freezer horizontal.

O lugar não estava muito cheio. Havia alguns homens jogando dominó e outros jogando sinuca. Já estava na cidadezinha há uns três dias e não estava mais aguentando o lugar. Era sossegado demais para ele. A agitação da cidade era o que lhe agradava. O tumulto das pessoas trafegando pelas ruas. Além do que, era perfeito para executar seus furtos e sumir no meio da multidão.

Desde que seus pais morreram em um acidente de carro, há 10 anos, e ele passara a morar com uma tia, as coisas haviam se enveredado por outro caminho. Estava com 13 anos na época, e as mudanças da adolescência já estavam aparecendo. O nervosismo e a intolerância já eram presentes, mas com a falta dos pais esses sentimentos haviam sido multiplicados. Logo ao mudar de escola, por conta de ir morar com a irmã de sua mãe, ele começou a se envolver com uma turminha barra pesada. Conheceu os cigarros de maconha, e antes do final do ano já estava tendo seus momentos de intimidade com a cocaína

Mas Kleber sempre procurou esconder tudo dos tios. Não entregava os bilhetes que a diretoria encaminhava. Quando seu tia participava das reuniões ele sempre dizia que os professores estavam de marcação com ele. Que suas notas não eram tão ruins. Tudo graças às colas que pegava dos colegas em troca de um pouco de erva. Mas isso seus tios não precisavam saber, é claro.

As coisas ficaram melhor quando seu tio faleceu, 4 anos depois, deixando sua tia quase louca e apavorada em poder cuidar das contas do mês. Foi quando ele largou os estudos, com o pretexto de ajudar sua tia nas despesas de casa. No entanto, o dinheiro que vinha para dentro de casa era fruto dos furtos de Kleber.

Através dos amigos ele conheceu Ratão, que gostou do jeito do rapaz e viu que poderia usá-lo nas diversas formas de trabalho ilícito que tinha montado na região.

Por vezes quase havia sido apanhado pelos policiais. Mas era esperto, e sempre conseguiu se safar. Mas tudo mudou com o assalto da velha. No dia seguinte duas viaturas começaram a fazer patrulha na área, forçando-o a ficar escondido. Foi quando Ratão sugeriu a mudança de ares.

Sua tia não desconfiou muito. Há tempos que queria um pouco de paz e distancia do sobrinho. Quando ele disse que iria visitar a irmã, ela apoiou a decisão com um grande sorriso nos lábios.

E lá estava ele, em volta com um povo sem graça e privado de poder cometer seus delitos, pois além de tudo a cidade era muito pequena, e qualquer tentativa de poder realizar qualquer assalto iria lhe incriminá-lo, e no momento ele tinha que manter os olhares longe da sua pessoa.

O som da pedra de dominó sendo esmagada contra a mesinha de madeira chegou até seus ouvidos, arrancando-o de seus pensamentos.

  • Bati, pato! Gritou um dos caras da mesa.- Fechamos o raio, hehehe. Lambreta, lambreta ?- Ria ele com sua boca desdentada.
  • Mas agora vamos à forra, Juvenal ? – disse um dos adversários.

Juvenal olhou para seu relógio e sacudiu a cabeça.

  • Fica pra uma próxima, pessoar. Tá ficando tarde, e tenho um caminho longo pela frente. Não quero ser pego pelo lobisomem.

Kleber quase cuspiu a cerveja da boca com vontade de rir.

  • Lobisomem? Vocês acreditam ainda nessas histórias? Perguntou Kleber não se contendo.

Juvenal se virou e encarou o rapaz com os olhos cerrados.

  • Ocê num é daqui, né garoto?
  • Não, sou da capital! Disse Kleber com o queixo erguido em sinal de superioridade.- Estou passando uns dias na casa da minha irmã.
  • Pois se fosse você não iria demorar muito pra ir pra casa.
  • Por causa do lobisomem? Disse Kleber sufocando um riso com as costas da mão.
  • Escuta aqui, filho! Por essas bandas tem um bicho que anda durante as noite de lua cheia, como hoje, e posso te dizer que num é um bicho quarqué. É um bicho que perambula pelo nosso quintar, e se apropria das nossas criação. É um bicho que num tem medo de nada e que seus uivos congela o sangue nas veia de quarqué um. Se fosse ocê, num ficava se disfazendo das coisa que num conhece. Principarmente de uma coisa que num pertence ao mundo dos vivo.
  • Como assim “dos vivo”, alguém já tentou matar essa tal criatura e não conseguiu?
  • Sim, senhor! Foi isso mesmo que já tentaro fazê. Mas ninguém nunca conseguiu penetrar o couro do bicho. Nem com tiro, nem com faca, nem pau e nem pedra. Nunca conseguiram tirar uma gota de sangue daquele bicho. Dizem até que ele consegue sentir o cheiro de gente ruim. Já ficamos sabendo de pessoas que encontraram com a criatura e levaram uma sova daquelas. Pessoas que num eram muito boas e outras que num acreditavam que a criatura existia. É um bicho de que não se pode fugir e nem enfrentar.
  • O senhor deve estar brincando comigo – disse Kleber olhando para o senhor na sua frente. Mas os o lhos de Juvenal não demonstravam brincadeira. Eram os olhos de alguém que já havia visto muita coisa na vida. Olhos experientes e matreiros.

Kleber olhou para as demais pessoas que estavam no estabelecimento, e todos prestavam atenção ao que estava sendo dito e encaravam Kleber de maneira hostil.

Era como estar rodeado de lobos. Observando cada movimento seu, esperando apenas o momento do ataque.

  • Tudo bem, gente! Eu acredito em vocês. É que na cidade não temos a oportunidade de encontrarmos esse tipo de animal.
  • Acho que está na hora de você ir pra casa, filho! Disse o balconista de maneira pouco amigável.

Kleber sentiu que era o melhor a ser feito. Tirou o dinheiro da carteira e pagou pelas bebidas.

  • Tenham uma boa noite! Disse ele aos senhores que estavam ali.

Eles não responderam, e na verdade Kleber nem estava esperando que o fizessem. O melhor era ir para casa tomar um banho quente e ir para a cama.

A casa de sua irmã era um pouco distante do bar em que estava. Mas Kleber não estava com muita presa de chegar logo. Aqueles caras estavam ficando caducos. Bando de senis. Eles que acreditassem nas histórias malucas que inventavam.

Havia um modo de Kleber chegar mais rápido até a casa da irmã. Era por dentro de um pasto próximo. Não que ele quisesse chegar mais rápido em casa, mas era um excelente lugar para acender um baseado. Longe dos olhares curiosos do lugar.

Kleber pulou a cerca de arame farpado e se encaminhou para debaixo de uma árvore que ficava quase no meio do pasto.

A lua brilhava leitosa acima de sua cabeça. Uma linda noite de lua cheia. Ideal para namorar, ou queimar um baseado. Como ele não estava com nenhuma garota, o melhor era acender logo o bagulho.

Se acomodou junto ao tronco da árvore e tratou de acender seu companheiro. Logo nas primeiras puxadas começou a se sentir mais tranqüilo. Mais leve, solto e alegre. Um sentimento que só aquelas maravilhas podiam lhe proporcionar. Sabia que os olhos logo estariam vermelhos. Mas sempre podia colocar a culpa na cerveja. Sua irmã e seu cunhado não iriam desconfiar.

Um som abafado chegou até os ouvidos de Kleber. Que não deu muita atenção, por conta dos efeitos da maconha. Logo o barulho se tornou mais próximo. Sons parecidos com pisadas, só que mais suaves, mais macias, acolchoadas, como patas.

O grande vulto passou por Kleber, e parou. Kleber se engasgou com aquela visão. A criatura voltou seu enorme volume corporal na direção dele. Fungando o ar. Sentindo o aroma que estava ao seu redor. Sentindo o cheiro de Kleber. Era o maior cachorro que ele já vira. Um pastor-alemão gigantesco. Seus olhos encontraram os olhos do animal. Um amarelo-alaranjado penetrante. Kleber começou a duvidar que se tratasse de um cachorro. Talvez fosse o animal de que os caras do bar estavam falando. O lobisomem.

Ele sacou seu canivete automático, mas não teve de usá-lo, pois a enorme pata desceu sobre sua mão e lhe arrancou o canivete, junto com outros três dedos. O nó na garganta não lhe permitiu que soltasse nenhum som em busca de socorro.

O enorme animal se aproximou ainda mais de Kleber. Seu focinho quase lhe tocava o nariz. Seus olhos agiam como que imãs aos olhos de Kleber. Era impossível se desviar deles. A vontade do animal era maior que sua vontade.

Dizem que quando estamos próximos da morte um filme passa diante de nossos olhos. Kleber pôde ver esse filme através dos olhos do grande animal. Um filme de sua vida de maldades, brutalidades e crimes. A última imagem que lhe chegou aos olhos foram da pobre velhinha que tinha lhe atravessado o caminho. Viu-a tentando lhe repudiar com a bolsa e viu quando o canivete lhe penetrou na carne, fazendo com que a pobre senhora parasse de atacá-lo e se contorcesse de dor no meio da calçada.

Aquela imagem lhe revelou no que ele havia se tornado. Ele percebeu em que tipo de ser humano ele era agora. Talvez por isso ele não tenha conseguido lutar quando o grande animal enterrou os enormes dentes em seu pescoço. Foi uma morte rápida, quase indolor. Afinal, ele poderia até agradecer por esse desfecho derradeiro.

Nunca encontraram seu corpo, e sua irmã achava que Kleber poderia estar em qualquer lugar, já que tinha uma vida totalmente incerta, e os caras do bar não comentaram mais sobre aquela noite em que viram o garoto pela última vez. No fundo eles sabiam o que havia acontecido. Mas a coisa havia se tornado um segredo entre eles. Um segredo que eles compartilhavam apenas com a grande criatura e com a lua cheia, leitosa e imponente.

FIM

Written by debbylenon

23/04/2010 at 07:41

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Nova Moradora

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Caros Hospedes, estamos começando mais um concurso do grupo Overlook Hotel, esse em homenagem ao nosso querido Andy.

Segue o primeiro conto.

Thaíssa era uma garota de 25 anos que morava sozinha em seu apartamento de 2 quartos. Ela trabalhava como garçonete durante o dia e fazia faculdade de direito a noite. Seu sonho era ser uma grande promotora. Ela era muito bonita, tinha 1,65 m de altura, era loira, tinha cabelos lisos que batiam no meio de suas costas e belos olhos verdes. Ela viva bem em sem apartamento, onde ocupava apenas seu quarto, o outro ela deixava para hóspedes que por acaso viesse a receber. Mas a situação foi ficando difícil, pois o valor das contas e o preço da feira semanal só aumentavam, enquanto seu salário ficava estagnado. Ela estava preocupada, porquê não estava mais conseguindo pagar suas despesas. Então decidiu que deveria conseguir outra fonte de renda. Sobre isso conversava com sua colega Keila, enquanto trabalhavam, antes da hora do almoço da lanchonete, única hora do dia em que elas podiam conversar tranquilamente, já que na hora do almoço os clientes chegavam e elas não tinham tempo para mais nada:

-Ai, amiga, eu não sei o que fazer! Preciso de uma outra fonte de renda! Mas como conseguirei isso se trabalho aqui o dia todo?

-Bom, eu tive uma idéia, mas não sei se vai dar certo.- respondeu Keila.

-Que idéia? A essa altura do campeonato, meu amor, qualquer idéia é bem-vinda!

-Bem, eu pensei que você poderia alugar seu quarto de hóspedes para alguém de confiança.

-Keila, essa é uma grande idéia! Essa pessoa poderia dividir as despesas da casa comigo, então as contas ficariam mais leves!

-E você não teria que abrir mão da sua faculdade que você tanto ama!

-Pois é! Se as coisas continuarem assim eu terei mesmo que trancar o curso, porquê entre faculdade e comida, é claro que escolherei comida! Mas sua idéia é boa, amiga! Vou colocar anúncio em um jornal e também em um jornal virtual na internet!

-Mas cuidado, Thai, isso pode ser perigoso. Você tem que se informar bem sobre essa essa pessoa para não colocar um psicopata em casa.

-Não se preocupe, amiga, eu vou tomar cuidado! E pra começar vou colocar no anúncio que procuro uma garota, porquê ficar sozinha em casa com um cara desconhecido eu não fico mesmo!

-Faz muito bem!

As portas da lanchonete se abriram e o primeiro de muitos clientes chegou, indicando que a hora do almoço começava. As garotas terminaram a conversa e foram atender os clientes. No dia seguinte Thaíssa chegou agitada com uma jornal da mão e correu na direção de Keila mostrando ele para a colega:

-Olha, amiga, dá uma olhada no meu anúncio!

-Deixa eu ver!- exclamou Keila também agitada.

Keila pegou o jornal e leu:

Procura-se garota entre 20 e 30 anos para dividir apartamento. Trata-se de um quarto de hóspedes com cama de casal, guarda-roupas de 4 portas e penteadeira. As contas serão divididas com ela, por isso não será preciso pagar aluguel. Quem se interessar favor ligar para o número (21)3555-0870. Fala com Thaíssa.

Depois de ler o anúncio ela falou:

-Hum…está bom, amiga. Gostei! Colocou anúncio na internet também?

-Que bom que gostou! Coloquei sim! Eu fui em uma Lan House ontem depois que saí daqui e coloquei um anúncio igual a esse em um jornal virtual.

-Ótimo! Agora é só esperar!.

-Pois é!

Dias se passaram e Thaíssa recebeu vários ligações sobre os anúncios, mas ela não tinha gostado de ninguém até aquele momento. Então, enquanto lavava os pratos da lanchonete após o almoço seu celular tocou:

-Alô, Thaíssa falando, quem é?

-Oi, eu sou Michele e estou ligando por causa do anúncio.- respondeu a outra pessoa no telefone.

-Bom, é um prazer conhecê-la, Michele.

-O prazer é meu, Thaíssa.- respondeu Michele.

-Olha, eu tenho que te fazer algumas perguntas para saber se você é a pessoa que procuro para dividir meu apartamento. Tudo bem pra você?

-Tudo bem! Pode começar!

-Bem, você trabalha?

-Sim, trabalho como secretária em um escritório de advocacia.

-Sério? Eu estou fazendo curso de direito! Meu sonho é ser advogada!

-Tá vendo? Já temos algo em comum!

-Pois é! Mas voltando as perguntas, me desculpe a indiscrição, mas preciso saber se você tem dinheiro o suficiente para dividir as despesas comigo, então de quanto é o seu salário?

-Tudo bem, eu entendo você. Em seu lugar faria mesma coisa. Mas respondendo sua pergunta eu ganho 2 salários mínimos. Eu moro de aluguel, mas o valor do aluguel vai aumentar a partir do próximo mês e eu não tenho condição de pagar mais, então tive que procurar anúncios de quartos para alugar no jornal e encontrei você.

-Hum…com 2 salários dá pra você dividir as despesas comigo sim, mas vamos continuar as perguntas. Quantos anos você tem?

-Tenho 28 anos.

-Onde você mora atualmente?

-No centro, por isso o aluguel está caro.

-Tem razão, o aluguel no centro é caríssimo. Mas qual seu nome completo?

-Michele Coelho Borges.

-Você é daqui mesmo?

-Sim. Nasci e me criei no Rio.

-Você tem filhos?

-Não. Eu sou sozinha. Não tenho nem pais.

-O que houve com eles?

-Eles morreram a alguns anos.

-Sinto muito.

-Obrigada.

-Bem, Michele, gostei de você. Eu vou te dar o endereço do meu trabalho e você vem aqui hoje às 6 horas. Eu saio do trabalho nesse horário e aí poderemos conversar melhor. O horário está bom pra você?

-Sim está. Até as 6 horas então.

-É, até as 6 horas.

A ligação acabou e Thaíssa voltou ao trabalho. No fim do dia Michele apareceu na lanchonete e ela e Thaíssa conversaram enquanto iam para o apartamento da garçonete. Michele era alta, tinha longos e lisos cabelos pretos e olhos azuis. Ela tinha um jeito sensual de ser até nas roupas que vestia, ao contrário de Thaíssa que era mais recatada até no guarda-roupa. A garçonete gostou da secretária logo de cara, mas sua colega Keila não. Ela sentiu um arrepio na espinha assim que Michele entrou na lanchonete e contou isso para Thaíssa durante o horário de trabalho no dia seguinte, mas ela achou que fosse bobagem ou ciúmes da amiga e não levou a sério.

Dias depois Michele se mudou para o apartamento e Thaíssa e as duas estavam muito felizes. Elas conversavam enquanto assistiam um filme e comiam pipoca em um domingo, quando estavam de folga de seus trabalhos:

-Nossa, seu apartamento é muito bonito, Thaíssa! Nem acreditei quando entrei aqui!

-Em 1º lugar, me chame de “Thai”. É assim que meus amigos me chamam. Em 2º lugar, obrigada! Em 3º lugar, esse apê foi a única coisa que meus pais me deixaram. Eles também morreram, sabe? Como gosto muito daqui resolvi não vender esse apartamento.

-De nada! Entendo você. Se tivesse um apartamento lindo e aconchegante assim também não venderia. E se é pra eu te chamar de “Thai”, então me chame de “Mi”, que é como os meus amigos me chamam.-respondeu Michele sorrindo.

-Ok! Então seja bem-vinda, “Mi”!- respondeu Thaíssa também sorrindo.

-Obrigada, Thai!

As duas caíram na gargalhada e voltaram a ver o filme. No dia seguinte Thaíssa voltou ao trabalho. Ela e Keila novamente estavam conversando antes do almoço:

-E aí, como está sendo morar com a nova hóspede?- perguntou Keila.

-Está sendo bom. Mi é muito legal.

-”Mi”?- Keila perguntou com sarcasmo na voz- vocês já estão tão íntimas assim?

-É, ontem decidimos nos tratar por nossos apelidos.

-Então ela te chama de “Thai” agora?

-É. Por que, Keila? Algum problema?

-Não, de jeito nenhum! Só acho que você não deveria confiar muito nessa garota.

-Você quer parar com esse ciúme bobo, Keila? Que coisa!

-Não é ciúme! Eu não gosto dela, já disse! Ela me dá arrepios!

-Pois pra mim esse arrepio tem um nome só: ciúmes.- disse Thaíssa sorrindo.

-Já disse que não é!

De repente a porta se abriu e as duas olharam na direção dela para ver quem entrava. E era justamente a pessoa de quem falavam, Michele. Ela se aproximou da bancada onde estavam as duas e disse:

-Boa tarde, garotas! Como vão?

-Boa tarde, Mi! Estamos bem e você?- falou Thaíssa.

-Que bom que estão bem, eu estou bem também.- respondeu a secretária.

-O que você faz aqui?- perguntou Keila irritada.

-Aqui não é uma lanchonete? Eu vim almoçar, oras!

-Almoçar aqui? Mas porquê? Você nunca fez isso antes!- reclamou Keila.

-Keila, não seja grossa! Não tem nada demais a Mi almoçar aqui, afinal moramos juntas!- reclamou Thaíssa.

-Tudo bem, Thaí, não me chateei com a Keila. Entendo o ciúmes dela. Não é fácil ver sua melhor amiga fazer amizade com outra pessoa, ainda mais morando junto.

-Eu já disse que não tenho ciúmes de vocês!- berrou Keila.

-Tá! Tudo bem! Que seja! Mas o que você vai querer comer, Mi?

-Você ainda não respondeu porquê veio almoçar aqui…disse Keila.

-Keila, deixa ela em paz!- falou Thaíssa irritada.

-Tudo bem, Thai, eu respondo. Eu vim almoçar aqui, Keila, porquê coincidentemente o escritório onde trabalho fica perto daqui e como a Thai trabalha aqui resolvi comer aqui pra nós jogarmos conversa fora, assim o almoço será mais agradável.

-Pois fez muito bem!- exclamou Thaíssa.

-Discordo totalmente.

Keila foi para a cozinha chateada. Ela não conseguia gostar de Michele, sentia que ela escondia algo, mas Thaíssa não a escutava, então só restava para ela proteger a amiga. Thaíssa insistia que ela era boa pessoa e não era fichada na polícia, pois pediu a um amigo policial para buscar o nome dela nos computadores da delegacia onde trabalhava e ele nada achou. Ela mesma pesquisou o nome da secretária em um site de busca, mas tudo que encontrou foi a notícia de um prêmio que ela recebeu na na escola durante a adolescência. A notícia consistia de um pequeno texto e de uma foto da então adolescente Michele recebendo um prêmio das mãos do diretor da escola. Depois de tanta pesquisa, Thaíssa não teve  dúvidas que a nova moradora de seu apartamento era uma boa pessoa. Mas as coisas logo mudariam.

Semanas se passaram e Michele começou a almoçar na lanchonete todo dia. Isso incomodou Keila desde o início, mas só dias depois Thaíssa começou a se incomodar, pois a secretária insistia em ficar conversando com ela durante o almoço e não a deixava trabalhar. Quando ela ia embora o chefe brigava com a garçonete e Keila dizia que ela tinha que falar para Michele deixar de almoçar lá ou pelo menos parar de conversar com ela, senão Thaíssa acabaria perdendo o emprego. Ela até pensava em fazer isso, mas quando estava diante da nova amiga, não tinha coragem de falar sobre esse assunto, pois temia magoá-la. Como se não bastasse enquanto as garçonetes conversavam e trabalhavam Michele apareceu para o almoço com uma grande novidade:

-TCHAM TCHAM TCHAM TCHAM!- exclamou Thaíssa após praticamente arrombar as portas da lanchonete- Que tal? Gostaram?

-MAS O QUE É ISSO!- gritou Thaíssa assustada.

-Minha Nossa Senhora!- exclamou Keila também assustada.

Michele estava exatamente igual a Thaíssa. Com os cabelos tingidos de loiros e cortados na mesma altura dos da garçonete e vestindo o mesmo estilo de roupa dela também. Até lentes de contato verdes ela estava usando. Thaíssa gelou até a alma quando a viu. Finalmente começou a acreditar em Keila, novamente sentiu um arrepio ao ver Michele transformada em sua amiga. Sem graça Michele perguntou:

-Que foi? Não gostaram? Ficou feio?

-N…não, não é isso, Mi! É que seu cabelo era tão bonito! Por que você mudou? E o que aconteceu com suas roupas sensuais?

-Bem, achei a cor do seu cabelo tão bonita que não resisti e tingi meu cabelo com ela também. E as minhas roupas estavam sensuais demais.

-Mas precisava cortar o cabelo e colocar lentes de contato também?- perguntou Keila.

-É que meu cabelo estava muito grande e eu sempre achei a cor dos olhos da Thai linda! Desculpa se te assustei, amiga!

-Tu..tu..do bem, Mi. Se você está se gostando assim tudo bem. Vai almoçar agora?- falou Thaíssa tentando disfarçar o medo que desenvolveu por Michele ao vê-la idêntica a ela.

-Vou sim! Estou faminta!- exclamou Michele animada.

Michele almoçou e de novo prendeu Thaíssa ao seu lado durante a refeição. Quando a secretária foi embora o chefe da garçonete se irritou mais uma vez:

-Agora chega, Thaíssa! VOCÊ ESTÁ DEMITIDA!

-QUE? Não, chefe, por favor, eu preciso desse emprego!- exclamou Thaíssa desesperada.

-Então lembrasse disso antes de ficar batendo papo com sua amiga durante o expediente!

-Isso não vai mais acontecer, eu prometo!

-Todo dia você diz isso e todo dia a história se repete!

-Calma, chefe, dá mais uma chance para a Thai! Eu mesma vou falar com aquela amiga dela para ela não fazer mais isso!

-Eu já tomei minha decisão! Vá arrumar suas coisas que eu vou pegar o dinheiro que ainda te devo!

Depois disso Thaíssa saiu da lanchonete chorando. No fim da tarde Keila foi vê-la:

-Oi, amiga. Como está?- disse ela ainda na porta.

-Entra. Estou tentando me acalmar, mas não consigo. Do que eu vou viver agora?

-A louca está aí?- perguntou Keila preocupada.

-Não. Ainda está no escritório.

Keila entrou e as duas se sentaram no sofá. Então elas voltaram a conversar:

-Olha, amiga, você vai arrumar outro emprego, eu tenho certeza! O mais importante agora é dar um jeito de fazer aquela psicopata ir embora daqui.

-Keila, desde que eu vi a Michele idêntica a mim eu entendi você. Também não gosto mais dela, na verdade agora ela me dá medo, mas nesse momento, sem ter como me sustentar, eu não posso expulsá-la daqui. Ela é garantia de pelo menos metade das despeses pagas!

-Eu sei, mas mantê-la aqui é arriscar sua vida! Michele não só se transformou em você como te fez perder o emprego!

Nesse momento a porta se abriu e uma assustada Michele apareceu atrás dela:

-Eu ouvi bem? A Thai perdeu o emprego por minha causa?

-Pois é! Graças a sua mania de almoçar na lanchonete e prender a Thai a seu lado enquanto comia ela perdeu o emprego!- respondeu Keila furiosa.

-Ahhhhhhhh, Thai, me desculpa! Não foi a minha intenção, eu juro! Eu não queria isso.

-Tudo bem, Mi, eu vou arranjar outro emprego.- disse Thaíssa tentando disfarçar o medo.

-Não! Eu cometi um erro e vou consertá-lo. Amanhã mesmo falarei com seu chefe!

-Não precisa! Já disse que arrumarei outro emprego!

-Precisa sim, Thai! Michele tem razão, ela tem que consertar a besteira que fez, se é que tem conserto.

No dia seguinte Michele foi à lanchonete, falou com o chefe por meia hora na sala de contabilidade e quando estava saindo Keila a chamou:

-E aí, Michele, conseguiu?

-Infelizmente não, mas acontece uma coisa surpreendente lá dentro!

-Que coisa?- perguntou Keila desconfiada.

-O chefe me deu o emprego da Thai?

-QUE? Como assim?- perguntou Keila surpresa.

-Ele me ofecereu o emprego da Thai e eu aceitei. Melhor comigo do que com uma estranha, não acha?

-Mas e o seu emprego no escritório de advocacia?

-Eu estava querendo sair de lá mesmo. Um dos advogados anda me assediando, sabe? Esse emprego veio em boa hora. Amanhã eu começo!

Michele foi embora deixando Keila de boca aberta. Desconfia ela resolveu falar com o chefe:

-Chefe, porque você deu o emprego da Thai para a Michele?

-Porque ela pediu e eu gostei dela.

-QUÊ? Ela pediu o emprego? Pediu pra ela?- perguntou Keila chocada.

-É, ela pediu. Ela disse que queria deixar o atual trabalho dela e que sabe fazer o trabalho de garçonete, então eu dei o emprego pra ela. Não podia ficar esperando por outra. Se ela for realmente boa vai ficar. Agora volte ao trabalho!

Keila voltou ao trabalho inconformada. No fim do dia ela foi falar com Thaíssa antes que a ex-secretária chegasse em casa:

-Amiga, você não vai acreditar no que aquela louca fez!- disse ela furiosa enquanto entrava no apartamento de Thaíssa.

-Ela conseguiu meu emprego de volta?- perguntou Thaíssa começando a se animar enquanto sentava no sofá com a amiga.

-Que nada! Ela ficou com ele!- disse Keila cheia de raiva.

-Que? Como assim?- perguntou Thaíssa chocada.

-Ela disse que o chefe ofereceu o emprego para ela e como quer sair do escritório de advocacia porquê um dos advogados a está assediando ela aceitou. Ainda disse que é melhor seu emprego ficar com ela do que com uma desconhecida!

-Bom, ela pode estar falando a verdade!

-Falando a verdade nada, Thai! Eu falei com o chefe! Ele só deu o emprego a ela porquê ela pediu! Ela usou a desculpa do assédio e disse que  sabe fazer o trabalho de garçonete! Como o chefe está mesmo precisando de uma garçonete ele deu o emprego a ela e me disse que se ela for boa vai ficar!

-Eu não acredito nisso! Ela não pode ter feito isso comigo!

-Mas fez! Ela se transformou em você, te fez perder seu emprego e o tomou para ela! Mas um motivo para você espulsá-la daqui ou ela acabará tomando seu apartamento também! Não vê que aos poucos ela está roubando sua vida?- disse Keila visivelmente alterada.

-Tem razão! Ela está roubando minha vida! Mas como eu a expulsarei daqui?

-Eu te ajudarei! Mas agora tenho que ir para casa. Ela deve estar chegando e não quero que me encontre aqui. Não quero que ela saiba que te contei, nem que vou te ajudar a tirá-la daqui. Amanhã eu dou um jeito de sair mais cedo, invento uma doença e venho pra cá. Então retomaremos a conversa e com certeza vamos bolar um plano para escorraçar aquela psicopata daqui!

-Está bem! Não sei o que faria sem você, amiga! Obrigada!

-Não precisa agradecer! Amiga é para essas coisas!

Keila vou embora e Michele chegou pouco depois. Ela contou a Thaíssa a versão dela de como ficou com o emprego da ex-garçonete, que fingiu acreditar na falsa amiga. De madrugada Thaíssa estava dormindo tranquilamente quando ouviu um barulho em seu quarto que a despertou. Assustada ela fingiu ainda estar dormindo. Enquanto isso a pessoa que produziu o barulho se aproximava dela. Era Michele e segurava uma faca. Com a faca acima do corpo da ex-garçonete ela disse sarcasticamente:

-Seu tempo acabou, “Thai”!

Quando ela ia esfaquear Thaíssa, a ex-garçonete reagiu segurando as mãos da ex-secretária e gritando:

-NÃO MESMO!

Então Thaíssa deu uma joelhada no estômago de Michele, que caiu para ao lado dela com a faca nas mãos. Rapidamente a ex-garçonete puxou a faca e a enfiou no peito da ex-secretária, que morreu instantaneamente.

Dias depois um policial foi procurar Thaíssa e falava para ela sobre Michele:

-O nome dela de verdade é Joana Padilha. Ela passou 3 anos internada em um hospital psiquiátrico porque é uma psicopata. Antes da prisão ela matou 4 mulheres, sempre com o mesmo MO: ela fazia amizade com a vítima, assumia sua aparência, tomava seu emprego, então a matava. Durante a internação foi visitada várias vezes por uma amiga de infância, Michele Coelho Borges, que sempre esteve ao lado dela. Um dia ela fugiu, matou a amiga e assumiu sua vida e identidade. Você tem muita sorte de ter sobrevivido.

-É, se eu não tivesse feito umas aulas de defesa pessoal estaria morta.

-Bom, você nasceu de novo. Curta sua nova vida.

-Vou curtir mesmo. Hoje mesmo saio de férias. Eu e minha amiga Keila vamos para Paris com o dinheiro da recompensa que ganhei pela captura da Mich…quer dizer…Joana.

-Quem bom! Que esses 50.000 reais te tragam muitas felicidades!

-Obrigada!

O policial foi embora e no fim do dia Keila chegou. Ela tirou férias da lanchonete para acompanha Thaíssa na viagem. As duas pegaram suas malas e partiram para a cidade luz.

FIM

Written by debbylenon

23/04/2010 at 07:24

Publicado em Concursos, Contos