Joana e Maria
Maria era uma menina muito doce que adorava brincar com seus bichinhos de estimação, ela tinha uma cobra e um papagaio. O pai de Maria alimentava a cobra fora da casa, para que Maria não visse ela matar a presa antes de devorá-la.
Um dia Maria viu a cobra fora do seu terrário e nem ligou, continuou brincando com seu outro papagaio. Quando Maria se distraiu a cobra deu o bote e devorou a pobre ave. Maria ficou ali olhando sem nada poder fazer.
Algum tempo depois o pai dela veio falar com ela.
- Filha você viu o papagaio?
- não papai, eu estava brincando com a Joana hoje o dia todo.
- Ele não falou hoje.
- Será que ele fugiu?
- Espero que não.
Assim que o pai saiu da sala Maria olhou para a cobra Joana e disse sorrindo, será nosso segredinho.
Anos se passaram e a Maria e Joana foram crescendo, Joana começou a se alimentar de pequenos roedores e gatos da vizinhança. A pyton foi ficando cada vez maior e começou a criar problemas com os vizinhos. Dona Ana, mãe de Maria pediu ao pai dela que sumisse com a cobra, antes que eles tivessem problemas sérios. O pai da menina, não quis magoar a filha e apenas construiu um viveiro para deixar a cobra lá, a menina tirava sua amiga de lá sempre.
Certo dia a mãe de Joana faleceu. Foi dormir e nunca mais acordou. Maria não chorou a morte da mãe. Muito menos ligou quando o pai apareceu com uma nova esposa meses depois. Apenas não gostou quando o irmãozinho nasceu. A menina tinha na época 17 anos, não era ciúme da criança, apenas não entendia a insistência do pai em doar Joana ao zoológico.
Foi numa certa noite que Maria teve uma idéia. Ela chegava do colégio quando ouviu a madrasta e o pai conversarem.
- João, esse animal não pode ficar aqui. Ano que vem Maria irá para a faculdade e quem irá cuidar dela? E o nosso filho, ele tem quatro meses e seria uma presa fácil para aquela coisa.
- Calma Rita! Eu tive uma idéia, assim que Maria sair para a faculdade, logo no primeiro dia, eu levo Joana para o Zoológico. Espere só mais uns meses.
- tudo bem João, mas, até lá eu e o Diego vamos para a casa de minha mãe, espero que você venha nos visitar.
- Rita, querida não faça isso.
Quando Maria teve a oportunidade de estar na casa sozinha ela soltou Joana no quarto do irmão. Aquela noite Rita dormiria em casa e de manhã bem cedinho viajaria para São Carlos, para visitar sua mãe.
O dia amanheceu e Rita se levantou para ver Diego, ela estranhou, pois, o menino não chorou para mamar na madrugada. Assim que ela entrou no quarto do filho e olhou no berço, soltou um grito de terror e desfaleceu.
João e Maria entraram no quarto correndo, João gritou o nome do filho, mas apenas pode ver a ponta do pé da criança na boca de Joana. Maria deu um leve sorriso.
Todos choravam no enterro do menino. E estranhavam a ausência da irmã. Uma vizinha próxima à família disse as colegas.
- Vi Maria chorando inconformada no quintal. Pobre menina perder o irmão assim, mas, a família era irresponsável de criar um animal daqueles.
Maria chorava sim, no quintal de casa, mas, chorava a morte da única amiga que teve. Chorava sob os pedaços esquartejados de Joana. Chorava jurando vingança.
- Nenhum descendente de João e Rita irá sobreviver a minha irá Joana, você pode ter certeza.
Maria sempre foi assim, incapaz de sentir algo pelos humanos ou outros animais. Maria só gostava de cobras e de como elas rastejavam e atacavam suas presas. Maria levantou-se e partiu. E durante muito tempo ninguém a viu.